
Em 2014, numa rua tranquila de Vila do Bispo, abrimos a porta de uma moradia típica dos anos 70/80. Simples, branca, sem pretensões — mas com a luz certa, o sossego certo e a promessa de que ali cabia um sonho. Chamámos-lhe Flor de Esteva e foi o primeiro alojamento que abrimos. Foi aqui que a Pure começou.
A esteva é a flor que, na primavera, pinta de branco os montes do Algarve: pétalas finas como papel de seda, uma mancha escura no centro e um perfume resinoso que o vento espalha por tudo. É delicada por fora e teimosa por dentro; nasce em terra dura e volta sempre. Gostamos de pensar que a casa tem um pouco disto.
Nada foi deixado ao acaso. A casa passou por uma renovação completa, feita sem pressa, parede a parede, divisão a divisão: a cal, a madeira, a luz de cada quarto, o lençol que se sente na pele. Cada pormenor foi pensado para quem chega cansado de uma estrada ou de um trilho e quer, simplesmente, sentir-se bem.
E nunca a considerámos terminada. Passam os anos e a Flor de Esteva continua em obras de amor: um quarto repensado aqui, um conforto novo ali. O mundo muda, quem viaja hoje procura outras coisas, e queremos que a casa acompanhe sempre os hóspedes com o máximo de conforto.
Hoje, entre o azul do Atlântico a poucos minutos e o branco das ruas da vila, a Flor de Esteva é uma casa de manhãs calmas, de cafés demorados, de regressos ao fim do dia com os pés cansados e a cabeça cheia de paisagem. É pequena e é nossa — e, enquanto estiver connosco, é também sua.
Foi o primeiro capítulo. Tudo o que a Pure é hoje começou atrás desta porta. Será uma honra escrever consigo o próximo.






